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Recursos Humanos: Um fim inevitável ou apetecível?

Em tempos os Recursos Humanos (RH)  eram um tema atrativo para mim, hoje o cenário tem mais de desapontante do que de inspirador. Num mundo em que o factor humano é o principal denominador em todas as atividades e processos, é desolador constatar o baixo nível de preocupação que existe com este “recurso”. Pior ainda é quando esta despreocupação é generalizada, vindo tanto da liderança como das pessoas da “base”. Estarão os RH condenados? Eu acredito que sim. E deve acontecer o quanto antes!

Um mundo tecnológico…habitado por pessoas

As pessoas sempre fizeram e sempre farão parte das empresas. A revolução industrial é um exemplo disso. Mesmo hoje, rodeados de tecnologia, as pessoas continuam a ser peça fundamental para muitos processos e setores de atividade. Das PME às multinacionais, qualquer empresa depende de uma equipa, seja esta de duas ou de mil pessoas. É, por isso, estranho que as práticas de gestão de pessoas, continuem a contribuir em muito para a desumanização. Para a conversão de pessoas em recursos.

Recursos (des)Humanos

Por esta altura, em pleno século XXI, seria de esperar o cenário agradável visto em muitos filmes visionários, nos quais a humanidade vive em perfeita harmonia entre si. Mas o que é que a realidade mostra? Se há primeira vista, pela imagem passada ao exterior, a maiorias das empresas pareça o local ideal para trabalhar, essa realidade deixa de existir a partid o momento em que nelas pela “porta pequena”. Vamos a números?

  • Para começar foi estimado que o burnout, o esgotamento mental provocado pelas exigências da profissão, custa cerca de 329 milhões às empresas por ano.
  • O stress no trabalho é visto como normal para 50% dos trabalhadores, da base às chefias, ou seja, já é um dado adquirido.
  • O presenteismo, a perda de produtividade por problemas, do foro mental ou físico, relacionados com o trabalho, é responsável pelo desperdício de 60% dos dias de trabalho. Impressionante é que a tendência seja para que se trabalhem mais e não menos horas.
  • O trabalho por turnos, que tem uma comprovada influência negativa na saúde, já é uma realidade para 20% da população ativa. Pior ainda é perceber que muitos dos sistemas de rotatividade são semanais!

Com tudo isto fará sentido continuar a apelidar estes recursos de humanos? Não creio. Aliás, a humanização no trabalho, à parte de algumas louváveis exceções, está em extinção. Pode ser feito melhor? Sim.

Ir pelo mínimo, exigir o máximo

O contacto com a realidade do tecido empresarial é, no mínimo, desolador. As 40 horas de trabalho semanal são poucas para muitos “líderes”. Afinal, quanto mais trabalhar mais produzo, certo? Errado. Pausas de 10 minutos, em turnos de 8 a 10 horas, aos quais se juntam 45 a 60 minutos para almoçar, são vistas como um suspiro para o trabalhador e como uma perda de produtividade para o topo da empresa. Os objetivos de produção, num mundo em que mais do que contribuir interessa crescer, são definidos mais para máquinas do que para humanos.

As remunerações, que ainda são tratadas como uma recompensa e não como uma necessidade básica, ficam-se pelo mínimo possível (e sim aqui concordo que a carga fiscal poderia ser menor). Os dias de férias, em muitas realidades ainda definidos em grande parte pela empresa, continuam a causar mais entraves do que oportunidades. O mais triste é que esta é apenas parte da realidade. A outra torna-se, no mínimo, ridícula.

Olha para o que digo, não para o que faço

Temos empresas em que a visão e valores defendidos pouco reflexo têm na realidade da mesma. A cultura é inexistente. Os departamentos de RH, cujo papel passaria por cuidar das pessoas, estão confinados ao trabalho administrativo puro e duro. Mesmo quando surge o espaço para introduzir supervisores, cujo papel seria o de gerir e facilitar o desenvolvimento das equipas, o nível de autonomia proporcionado é miserável. Basicamente existem para anotar erros, propor soluções que ficam pendentes ad aeternum e reportar o que está a acontecer.

 Já no ramo dos serviços a falta de confiança é tal que muitas vezes a pessoa melhor preparada e mais próxima da situação é a que menos independência tem para agir. Nem vale a pena falar em motivação, crescimento, alinhamento, reconhecimento ou sentido de pertença e de contributo. Estes simplesmente são inexistentes. Será que devemos continuar a permitir que seja dado o mínimo e exigido o máximo? Haverá solução ou já será demasiado tarde?

Um sinal de esperança?

Felizmente, há uma luz a brilhar ao fundo deste túnel. Uma luz vista por alguns visionários que tanto inspira outros a seguir, timidamente, no seu encalço. Aquelas que são consideradas hoje as melhores práticas continuam a desafiar o senso comum.

A nível de horários o número mágico estima-se estar nas 6 horas diárias. O trabalho a partir de casa, com a evolução tecnológica, tem ganho cada vez mais adeptos. Mesmo nos casos em que se torna difícil reduzir horários, como é o caso da indústria, a introdução de intervalos mais longos e frequentes tem-se mostrado favorável ao bem-estar das pessoas e equipas, e por consequência, à produtividade. As Power Nap estão a deixar de ser novidade e já ganharam o seu espaço, existindo mesmo algumas startups a criar soluções para uma fantástica sesta, a qualquer hora, em qualquer lugar.

As compensações monetárias e/ou materiais podem ser substituídas por um reforço da autonomia, das oportunidades de crescimento e por programas de mentoria individual. Existem mesmo alguns casos em que entre 10 a 20% do tempo de trabalho é oferecido para o desenvolvimento de projetos do interesse de cada um . E este é só o inicio.

Esperar o melhor, preparar para o pior

Acredito que qualquer pessoa numa posição de liderança deve promover ao máximo o desenvolvimento das equipas à sua responsabilidade. Se os motivos anteriores não são suficientes, deixo mais duas realidades que podem estar ao virar da esquina. Ambas vão testar ao máximo a cultura e as práticas relacionadas com gestão de pessoas de muitas empresas. Falo de uma nova crise financeira, que se especula estar em lume brando, e da introdução da Retribuição Universal Garantida. Em qualquer um dos cenários só sobreviverá quem tiver como foco as pessoas. É portanto necessário começar o quanto antes, desde a base ao topo, a criar a mudança. Quando é que isso vai acontecer é, para mim, a grande questão. Uma que tem que ser respondida por todos!

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