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A febre (irracional) do desenvolvimento pessoal

Sendo o desenvolvimento pessoal a minha arte, e a minha vida, estava longe de pensar que este primeiro artigo de 2020, seria tão penoso de escrever. Em nada tem a ver com a falta de temas interessantes ou com a dificuldade em encontrar palavras. O que mais me dói é constatar que no último lugar das prioridades das pessoas contínua a estar o seu desenvolvimento pessoal.

Desenvolvimento pessoal, um mundo “fabuloso”

Sim, eu sei que a lista de livros, cursos, certificações e gurus continua a aumentar a um ritmo alucinante. Também sei que cada vez mais pessoas investem o que têm, e por vezes o que não têm, para fazer parte daquela conferência, que na sua apoteose, se confunde com um festival de verão. 

Eu sei que hoje temos à nossa disposição um arsenal de técnicas, ferramentas e estratégias que nos permitem uma interação mais eficaz connosco e com quem nos rodeia.  Também sei que as técnicas que prometem fazer, num par de semanas, um completo override dos últimos 10.000 anos de evolução e elevar-nos ao nosso expoente máximo, são tudo menos realistas. 

Era de supor que o nosso desenvolvimento pessoal acompanhasse o desenvolvimento tecnológico a que temos assistido. Afinal, em ambos os casos, nós somos o principal agente ativo! Como é que num campo estamos tão à frente e noutro continuamos tão atrás?

Porque é que, com todos os recursos, conhecimento e tecnologia, continuamos a cometer, quais principiantes, os mesmos erros do passado?

Vamos a alguns exemplos? Acompanha-me então. 

Reflexão, o antídoto para a desinformação 

Passada que está a época da informação, parece que chegámos à da “desinformação”. É um facto que a “desinformação” existe e a tendência é para que aumentar.

Porém há um problema maior: a tremenda falta de disponibilidade para selecionar e analisar, com o quilo e meio de massa cinzenta que trazemos dentro da cabeça, a informação com que somos bombardeados todos os dias.

Por isso é que as histórias que ouvimos e contamos, desde que façam o mínimo de sentido, continuam a influenciar-nos mais do que os mais rigorosos factos.

É caso para perguntar: Se não comes tudo o que te põe à frente, porque acreditas em tudo o que te passa à frente dos olhos? É vital refletir! Este é o único meio para manteres a influência sobre a tua própria vida! 

Perdidos num nevoeiro de emoções 

Depois da revolução instalada pelo QI, o velhinho Quociente de Inteligência, eis que chegou um novo player. A Inteligência Emocional é a competência a desenvolver. Desde os que querem deixar o seu nome escrito na história a quem “apenas” pretende um melhor convívio consigo e com os outros. O único senão é que ninguém se torna expert em Inteligência Emocional com um curso ou certificação!

Dominar esta competência complexa requer dedicação, consistência e aprendizagem constante. Algo que muitos não estão dispostos a fazer e por isso, no epitome da sua elevação intelectual, continuam a tentar interações emocionalmente inteligentes quando nem as próprias emoções são capazes de identificar! 

Melhor comunicação, por favor! 

Um tema recorrente em desenvolvimento pessoal é a comunicação. Este que é o ex-libris do desenvolvimento da humanidade revela-se também o calcanhar de Aquiles de muitos. Aqui nem estou a falar de comunicação entre duas pessoas. Estou a falar, sim, da comunicação que tens contigo todos os dias. Do teu diálogo interno!

Chega a ser desanimador ver a ausência  ou, nos piores casos, a toxicidade do diálogo interno de muitas pessoas.

Se por um lado eu compreendo que este é um discurso que foi ensinado por outros, pois nenhuma criança nasce a falar mal de si mesma. Por outro é confrangedor perceber a falta de disponibilidade para melhorar a forma como algumas pessoas comunicam consigo mesmas. É caso para dizer, com amigos destes, quem precisa de inimigos? 

Uma realidade irrealista? 

Esta já é clássica e, para mim, está a tornar-se num tema de eleição. Muito se tem falado e escrito sobre as diferentes realidades em que vivemos: a tangível/real e a virtual. O que costuma passar ao lado da maioria é que essas duas realidades têm um ponto em comum: a pessoa que as percebe!

Essa pessoa vê o mundo de forma própria, através de lentes únicas, que raramente se apercebe estar a usar. Lentes que, mais raras vezes, analisa e, muitas menos ainda, coloca em causa. Lentes que dão origem à realidade que vê e às crenças que, diria, a delimitam.

A ironia de tudo isto é que é com base nesta realidade internamente criada que muitas pessoas tomam decisões para a sua vida, acreditando que o que as limita é a realidade externa, a que o coletivo vê. Se ao menos soubessem que poderiam ver o mundo de outra forma…  

A verdadeira essência está aqui!

Agora acredito que compreendas que, ameude, de todo o folclor que se vê no mundo do desenvolvimento pessoal, existam, para mim, questões de fundo às quais importa dar resposta. Afinal: 

  1. Porque investimos tão pouco tempo e energia a pensar por nós próprios?
  2. Fará sentido, com tanta inteligência emocional, continuarmos a tomar decisões tão “estúpidas”?
  3. Porque insistimos em tratar-nos de uma forma da qual não gostamos?
  4. Porque é que nos desresponsabilizamos de mudar a nossa realidade?

São estas “questões sem resposta” que me fazem acreditar que, no que ao desenvolvimento pessoal diz respeito, ainda há um longo caminho a percorrer. Um caminho longo e diferente!

Um caminho mais alinhado com o que acredito ser o verdadeiro desenvolvimento e superação pessoal! Descobre tudo no meu artigo:

“Coaching, uma forma de vida”

Sim, porque, para a maioria das pessoas que abraça o desenvolvimento pessoal, este parece ser visto como uma atividade “lúdica” que se consegue concluir lendo um par de livros, frequentando meia dúzia de cursos e fazendo mais que duas certificações com uma pessoa de renome. 

Só que não. Não é assim que tu, eu ou qualquer outra pessoa se torna, passo o pleonasmo, melhor pessoa! No final do dia, a conclusão é uma: Todos pensam em mudar a humanidade, mas ninguém pensa em mudar-se, realmente, a si! 

E tu, como está o teu desenvolvimento pessoal?

Como está a tua vida?

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